domingo, 22 de agosto de 2010

Metendo a mão na massa

Assim como o apê, nossa reforma vai andando bem ao estilo "luxo underground": com muito bom gosto e pouca verba, o que conta é a criatividade e a disposição. Temos batido perna por aí todos os dias procurando os melhores ofertas, pesquisando soluções bbb (boas, bonitas e baratas) e fazendo, nós mesmos, o que é possível fazer.
Obviamente, não contratamos arquiteto. Levamos uma amiga arquiteta e meu tio, que é engenheiro, para darem seus pitacos. Mas nós mesmos medimos tudo, baixamos um programinha para Mac e desenhamos a planta. Estamos escolhendo tudo sozinhos, por nossa própria conta e risco. Claro que às vezes bate o pavor de criar um frankestein, mas e daí? Será o NOSSO frankestein, com a nossa cara e do nosso jeito. Muuuuuito melhor do que gastar uma fortuna com um arquiteto e ainda correr o risco de ter uma casa impessoal, com os gostos DELE, e não os nossos. E depois, a melhor parte é essa mesmo: escolher com carinho cada cantinho, cada cor, cada revestimento... sem contar que a gente aprende muito!
Por exemplo, o pedreiro me pedia para comprar tantos canos brancos, tantos canos marrons, tantos joelhos azuis. E eu pensava: "gente, por que esse surto decorativo com um negócio que vai ficar escondido embaixo do piso?", até descobrir o óbvio: se os canos onde passa o esgoto forem da mesma cor dos que contêm água limpa, como seriam diferenciados em uma futura reforma? Se outra pessoa precisar mexer nesses canos, como ele vai sacar o esquema? Tóin, tudo tem um por quê quando se trata de construção e reforma.
Essa função toda dá um trabalho, mas é uma delícia. Somos privilegiados em ter famílias (tanto do lado masculino, quanto do feminino) que nos apóiam incondicionalmente, seja contribuindo com dinheiro, com presentes, com ideias geniais ou mesmo com trabalho braçal. O namorido está se puxando: já destruiu até parede a marretadas. Todo mundo colocando a mão na massa. Aliás, minha mãe tem sido campeã nesse quesito: todo dia quer ir para a obra fazer coisas. Hoje mesmo estávamos cansados, dormimos até mais tarde e quando ligo para ela (às duas da tarde), fico sabendo que está lá desde cedo trabalhando!! Vê se eu posso, depois dos 50 descobriu a vocação para mestre de obras!!! Ela já fez de tudo: destruiu conosco todos os azulejos da cozinha, arrancou o piso de paviflex, passou espátula na tinta das paredes, passou massa corrida, lixou com lixadeira, serrou madeira e só não arrancou os azulejos do banheiro porque eu não deixei: "mãe, deixa, já contratamos mão-de-obra pra isso, o homem vai fazer, prá que vamos ficar com dor???" Acho que descobri uma veia masoquista na minha mãezinha... mas essa ajuda tem sido vital e, por enquanto, contratamos mão-de-obra apenas para aquilo que não sabemos fazer, ou que realmente exige um profissional:

- Refazer toda a elétrica

Dos cabos que sobem pelo prédio até o apê à instalação de novo quadro de luz, com mais disjuntores, passando por novas tomadas, quebração de paredes para passar fiação, etc etc. O quadro de distribuição antigo tinha apenas um disjuntor para chuveiro e outro para todo o resto, de forma que todo o projeto elétrico foi modificado.

- Refazer o banheiro

O banheiro veio todo abaixo: azulejos verdes, piso horroroso, e até um pilar que, achávamos nós, era estrutural, e na verdade não era. Quando os azulejos foram retirados, descobrimos que o pilar era oco e estava ali apenas para esconder o encanamento do prédio. Primeira surpresinha: esse pilar oco estava abarrotado de caliça, provavelmente de uma obra anterior que sequer se dignaram a contratar uma caçamba pra levar!!!! Prá quê, né??? Bota no buraco e tasca azulejo em cima! Simples assim... afff! Eu devo ter secado a louça com o Santo Sudário em outra encarnação. É provavelmente essa caliça que estava retendo a umidade que acabou passando para a parede e saindo no quarto ao lado... acabamos optando em destruir essa coluna, ganhando espaço no banheiro, e revestir apenas os canos com alguma outra coisa, ou fazer uma textura ou sei lá eu o quê. O banheiro já ficou maior. Também reorganizamos todo aquele caos anterior (conforme expliquei no post O Banheiro Islâmico), reposicionando tudo: onde era o box agora é o vaso sanitário, onde ficava o vaso islâmico será a pia e onde era a pia, vai o box. A porta, que seria apenas invertida, será trocada, porque estava no limite da falência, e acabou sobrando uma em melhor estado da parede destruída pelo amado namorido. Só que o marco dessa porta era maior, então não vamos escapar de comprar outro.

- Refazer hidráulica
Inclui, além do banheiro, a cozinha e a área de serviço. A entrada e saída para máquina de lavar já estão ok, o sifão da pia da cozinha foi trocado e todas as caixas sifonadas (aquilo que pessoas normais antes de uma reforma costumam chamar de "ralos") também foram trocadas, assim como todos os registros e encanamentos.

- Rebocar a cozinha, a área de serviço e o banheiro
No lugar dos velhos azulejos, optamos por rebocar a cozinha e pintar, colocando azulejos apenas em volta da pia. Na área de serviço, a mesma regra. Apenas azulejos em torno do tanque. No banheiro, azulejamos o box até o teto e, no restante, apenas meia-parede. O resto é reboco, selador e tinta. Tudo pela economia.

- Assentar o piso novo na cozinha, área de serviço, banheirinho dos fundos e despensa

Enfim, com muitos esforços de todas as partes, a reforma está andando!!! Em breve, mais fotos e detalhes...

O que sobrou da casa dos cupins

Bom, depois que nos livramos por completo dos bichinhos, restou avaliar, dentre as madeiras tratadas, quais poderão ser aproveitadas. Mesmo sem os cupins, algumas delas estão furadas demais! Basta enfiar o dedo que esfarela que nem papel... por isso, as guarnições das janelas, os rodapés e marcos de algumas portas não poderão ser utilizados. Quanto ao piso de tacos, fizemos um orçamento com uma empresa recuperadora de parquet para lixar, trocar os quarenta piores tacos e passar sinteco, além de colar tacos faltantes e que foram totalmente esfarelados pelos nojentinhos. Não é o ideal, claro que seria ótimo trocar tudo, mas é o que tem pra hoje, já que as moedinhas estão contadas... Então, vamos trocar os quarenta piores mesmo e tentar recuperar os outros. Já não estando mais com cupins é o que basta por enquanto... o que são uns furinhos na madeira na atual situação???

Madeiraaaaaaaaa!!!!

Tudo que é de madeira no apê estava tomado por cupins. E quando eu digo tudo, quero dizer isso mesmo: rodapés, armários embutidos, todas as portas e janelas... e nos tacos de madeira do piso que cobre as duas salas, o corredor e os três quartos. Nas salas eles não estavam visíveis: a proprietária anterior os escondeu sob um laminado novo que instalou por cima dos tacos (e assim ela fez com todo o resto do apê, tudo na base das "maquiagens" e "gambiarras"). No restante do piso de tacos, havia três espécies diferentes dos bichinhos nojentos, segundo o funcionário da descupinizadora que nos livrou deles: o cupim subterrâneo, o cupim de madeira seca e a broca, que é uma espécie que produz um resíduo parecido com uma areia bem fininha, semelhante a um talco amarelinho. Pesquisando na internet, descobrimos que apenas o cupim de madeira seca responde a esses tratamentos caseiros ao estilo Jimo Cupim, os outros tipos precisam de descupinização profissional, com produtos importados e máquinas específicas. Não saiu barato, mas tivemos um excelente atendimento da descupinizadora, que tratou tudo e nos deu 8 anos de garantia. Eles têm plantão 24h e me garantiram que, se surgir algum cupim nos próximos 8 anos, posso ligar a qualquer hora que eles vêm tratar! Isso porque o produto utilizado impede que novas colônias se instalem naquela madeira que foi tratada. Se entrar uma revoada de novos cupins pela janela, por exemplo, eles não vão ficar na minha madeira! Parece incrível... será???? Bom, nos próximos 8 anos eles vão saber se vou ligar alguma vez...

Piso de tacos pedindo socorro


Cupins 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A área de serviço

A área de serviço tinha originalmente um tanque enorme, de concreto revestido de azulejos, que ocupava muito espaço e que foi uma das primeiras coisas a ser demolida, logo no começo da reforma. O pedreiro que demoliu disse que foi um inferno, porque ele tinha por dentro toda uma estrutura em ferro. Fiquei com pena do cara. Mas já temos um tanque novinho em folha, de louça, em tamanho médio, o suficiente para ser funcional sem ocupar tanto espaço de circulação.
O novo tanquinho foi presente da mamis (a principal entusiasta da demolição do tancão original), que nos convenceu de que jamais precisaríamos de um tanque daquele tamanho, já que não pretendíamos pescar ali dentro. As intervenções que ainda serão feitas são a quebra do piso para passar o encanamento de saída de água da máquina de lavar direto para o ralo (imaginamos que a proprietária anterior largava a água para dentro do tancão, já que não havia saída para a máquina), a substituição dos registros e da caixa por uma de 250 (a caixinha atual é bem pequenininha, e devia transbordar sempre que se lavava roupa). Além disso, vão embora os azulejos (novos azulejos serão colocados apenas na área do tanque), as paredes serão rebocadas e pintadas e o piso, que é continuação da cozinha (paviflex amarelo e branco) será trocado. 



A cozinha rosa pálido, sob risco de avalanche

A cozinha também está pedindo um carinho, coitada.

Os pontos críticos: 

Os azulejos em tons de cor de rosa pálido estão sob risco iminente de queda ao menor movimento, muitos deles completamente soltos e outros faltando. O piso é um duvidoso paviflex amarelo e branco, com peças quebradas, riscadas ou descolando. A pia é daquelas com balcão de concreto e azulejos pretos, bem pesadona, arrematada por um armário semi-destruído de fórmica em tom de amarelo-desgosto. A água da pia não desce, por possível entupimento de algum cano velho. Além disso, há um buraco, um espaço não aproveitado junto ao teto (acima da capela onde está embutido o tampo da pia), ainda ostentando uma antiga pintura azul, pois sequer se dignaram a ir até aquele buraco inútil com os azulejos. Problemas elétricos e hidráulicos, como todo o restante do apê.









O plano de ataque:

- Instalar mais tomadas, prevendo espera para máquina de lavar louças, fogão elétrico, forno, etc;
- Acabar com o balcão atual de concreto abaixo da pia e substitui-lo por móvel de cozinha;
- Trocar o piso e retirar os azulejos;
- Rebocar a cozinha e assentar novos azulejos apenas acima da pia;
- Passar um cano de cobre por baixo do piso levando a mangueira de gás até a área de serviço, para que o botijão não precise mais ficar ao lado do fogão (algo bastante perigoso, segundo nossa querida amiga arquiteta que nos visitou para dar umas dicas preciosas);
- Refazer a hidráulica;
- Fechar o buraco com gesso para embutir iluminação acima da pia.

O banheiro islâmico

Talvez um dos cômodos mais judiadinhos do apartamento seja o banheiro social. Além de ser minúsculo (3,23 m2), o espaço não poderia ter sido pior aproveitado pelo engenheiro que o projetou, que deve ter sido formado por correspondência.


Os pontos críticos:

1) Para começar, a porta se abre para o meio do cômodo (isso mesmo: com a porta aberta, não é possível se mover pelo banheiro. Ela fica aberta no meio da peça). Atrás dessa porta (quando aberta), fica a única tomada existente, o que também não poderia ter sido feito em local menos propício. Além disso, a porta por pouco não raspa na pia ao se abrir;

2) A área do chuveiro (que conta com um box de acrílico que já estava quebrado) é comprida e estreita demais. Como se não bastasse, o cano do chuveiro fica muito perto da parede, totalmente descentralizado em relação ao espaço do box, o que obriga o cidadão que tenta tomar banho a fazê-lo encostado nos azulejos;

3) O interruptor de luz fica do lado de fora do banheiro, o que provoca uma tentação quase incontrolável de sacanear quem está usando a peça, deixando-o no escuro no momento mais dramático do serviço;

4) A cartela de cores expressa todo aquele bom gosto de uma cor que grita e outra que não escuta: azulejos verde pistache + piso mescladinho bege e branco + louças rosa antigo. Quem foi capaz de cometer uma combinação dessas? Não pergunte pra mim;

5) Piso solto em alguns pontos, azulejos idem. No caso dos azulejos, há ainda um clássico dos banheiros mais antiguinhos: diversos tons de verde entre o pistache e o abacate, porque foram sendo feitas reformas e nunca mais foram encontrados os azulejos no tom original para reposição;

6) Instalações elétricas precárias, cheias de gambiarras e "jeitinhos";

7) Válvula hidra com pequeno vazamento;

8) E só para finalizar, o carro-chefe do nosso banheiro é um show à parte: um vaso sanitário rosa antigo com tampa verde que foi colocado na diagonal!! Sim, acreditem, colocaram o vaso e, ao descobrirem que ele batia no box, ENTORTARAM um pouquinho para o lado esquerdo, de modo que a coxa de quem senta fica esmagada pela porta de acrílico do box! E com um espaçãããão sobrando ao lado deste vaso! Comentário do namorido ao ver a obra de arte da arquitetura banherística: "Vai ver que a proprietária anterior era muçulmana, só cagava virada para Meca." Taí, talvez seja uma boa explicação para o nosso vaso em diagonal: temos um banheiro islâmico!!!


 





O plano de ataque:

- Refazer toda a elétrica, colocando mais tomadas (onde elas realmente costumam ser usadas, e não atrás da porta!), eliminando as gambiarras e os fiozinhos puxados de lá para cá e daqui pra lá, instalando uma iluminação específica para a área da pia e puxando o interruptor de luz para dentro do banheiro; 
- Refazer toda a hidráulica, substituindo o registro e os canos podres de ferro colocados em 1950, redistribuindo as peças no ambiente (afinal, desentortar o vaso é prioridade número UM), anulando a válvula hidra (vamos usar caixa acoplada) e reposicionando o chuveiro;
- Trocar o piso e o revestimento;
- Rebaixar o teto com gesso para nivelar a diferença de pé direito e embutir iluminação;
- Inverter a porta. 

domingo, 25 de julho de 2010

O Ponto de Partida

O ponto de partida: um apartamento que poderia ser definido como "luxo underground". O que isso quer dizer? Que temos à mão um apê que, para um jovem casal sem filhos, é um luxo: três quartos (um deles com uma pequenina, porém simpática sacadinha), salas de estar e jantar, um banheiro social e outro de serviço, cozinha, área de serviço e despensa, cujas janelas dão todas para uma vista incrível do Rio Guaíba e do pôr-do-sol, símbolo de Porto Alegre. Mas todo esse luxo tem um preço, e aí é que entra o lado "underground" da parada: caindo aos pedaços, o apartamento clama urgentemente por um pouco de carinho e atenção. Azulejos caindo, pontos de umidade, elétrica e hidráulica em petição de miséria, venezianas que ameaçam cair do oitavo andar sobre a cabeça de algum transeunte desavisado na calçada e outros mil pequenos desajustes que exigem uma intervenção radical. Em pequenas e grandes cirurgias, aos pouquinhos vamos transformá-lo em algo que se possa chamar de lar. Esse blog foi criado para registrar essa transformação e, quem sabe, contribuir com algumas dicas e ideias para quem está, como nós, contando as moedinhas para enfrentar uma bela reforma!

Vista do quarto número 2